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BIOENGENHARIA



CAPÍTULO 01 – PSICOSE DA ALIMENTAÇÃO

Como podemos constatar por Viana (2002), o modo como vemos o ato de alimentar-nos, é inerente a escolha do alimento. Portanto, alterar a forma de vermos a alimentação é indispensável para o incentivo ao consumo de alimento saudável. A forma de alterarmos essa visão é simplesmente pela conscientização. A conscientização é produzida pelo conhecimento que implica na busca por um melhor qualidade de vida, em que a saúde é uma grande influenciadora.
Barcellos, no livro O banquete de psique (2017), determina há pelo menos 3 (três) tipos de olhares para o ato da alimentação. O primeiro olhar vou chamar de Rústico, que é alguém que olha o alimento como algo biologicamente necessário, não é uma ação prazerosa, nem ao menos fonte de saúde, mas que determinadamente acontecerá. O segundo olhar é o Prazenteiro, que olha a comida como fonte de prazer e satisfação, não observa a saudabilidade, nem ao menos quando e quanto ira comer, mas sim o prazer em que si é gerado, o que importa é o paladar. A terceira é o Salientado, que calcula cada miligrama que ingerirá de vitaminas, minerais, e entre outros – realmente pouco se vê desses, mas ainda há.
Além da “visão” que temos da alimentação, o meio social e a cultura familiar influencia diretamente naquilo que pode ser classificado como “bom” ou “ruim”, promovendo a facilidade ou a dificuldade na adesão ao consumo de alimento saudável. Portanto, a justificativa da inserção do tema: psicose da alimentação é potencialmente influenciadora na alimentação, pois não basta saber apenas a ação que o alimento faz no seu corpo, mas também o que o alimento significa para você. A alimentação não começa quando mastigamos, mas quando estamos simplesmente olhando para ele. Isso significa que a psicoterapia pode ser uma ferramenta poderosa à promoção da saúde, não só pelas técnicas psicoterapêuticas, mas também pelo poder de conscientização e de influência sobre a decisão na alimentação.
Paulo Freire, no livro Conscientização (1980), ensina-nos que o ato de conscientizar é similar ao de libertar. Segundo o mesmo, quando a pessoa é consciente, ela automaticamente torna-se livre, e portanto conhece aquilo que faz, e sabe muito bem o seu escolher e suas consequências. O fator conscientizador pode ser gerado de múltiplas maneiras; há caminhos para gerar consciência em qualquer ser humano. Podemos trazer a consciência principalmente comunicando, pelas palavras, que trazem significância e produz conhecimento sobre algo. Podemos então concluir, que a liberdade é conhecer aquilo que nos cerca. Mas, para conhecer é preciso ensino, alguém que tenha experimentado, que tenha estudado, e que possa finalmente transmitir o seu conhecimento e ensinar, enfim, trazer a conscientização tão necessária.
Quando damos então a consciência da alimentação saudável e seus efeitos, fazemos das pessoas, cidadãos livres. Então há pessoas aprisionadas? Sim! Talvez estejam presas como um leão no fio dental, mas estão presas. Mas a que ou quem? Primeiramente, a ignorância, ao marketing das indústrias fast-food, a cultura familiar, a comunidade que o cerca em conjunto ao seu ciclo social, bem como os sentimentos (tristeza, alegria, depressividade, problemas, felicidades), que são influenciadores diretos naquilo que iremos nos alimentar. A pessoa que tem consciência da sua prisão, percebe que não é um gato, mas sim, um leão, capaz de controlar-se mediante a tudo, inclusive diante de um prato de comida.
Fato é que o ensino conscientiza e liberta, mas há situações que é imperceptível ao indivíduo. Essas situações de prisão imperceptível são doenças estudadas pela psicologia da alimentação, ou a terapia alimentar. Estes estudam os transtornos alimentares catalogados, e que em conjunto com a psicoterapia, podem gerar cura. Biernatch (2020) publicando dados, cita algumas doenças psíquicas dos transtornos alimentares, que são protagonistas em estudos por pesquisadores. São listados pelo menos doze de grande importância:
  1. Anorexia que é fundamentada pela restrição de consumo de alimento. Isso significa biologicamente a perda de qualquer fonte de energia. Isso acontece inicialmente por um corte em alimentos ricos em gordura, porém não para por ai. Após a restrição das comidas com alta fonte de energia, alguns alimentos fornecedores de proteínas, vitaminas e minerais são dispensados da dieta, levando à uma perda de peso severa e perigosa. Outro fato interessante é que os portadores desta doença geram “ilusões de ótica”, onde o mesmo enxerga-se obeso, mesmo estando cadavérico.
  2. Bulimia é quase o oposto à anorexia. O consumo exacerbado de alimentos, que gera arrependimento. Esse arrependimento gera ações corretivas, que não são naturais. Essas ações corretivas são catalogadas: provação do vômito, ingestão de medicamentos indutores diarreicos (laxantes), indutores de mictação (diuréticos), prática de exercícios físicos exacerbados, entre outros. O fato é que o arrependimento é o gerador da culpa, e a culpa é a indutora dessas decisões. É claro que do ponto de vista biológico há diversas complicações por cada ação que deve ser estudada afinco, mas é válido afirmar que nenhuma delas geram benevolência ao corpo.
  3. Compulsão Alimentar é catalogada como o consumo descontrolado de alimento, parecido com a Bulimia, porém aqui não há o arrependimento; aqui não há culpa. Normalmente, esses excessos de consumo são fomentados por fatores psíquicos, como estresse, ansiedade, preocupação, entre outros. O dilema situacional é o grande impulsionador, que leva ao indivíduo à compulsão ao consumo desenfreado. A recomendação médica mundial é o consumo de 2.000cal/dia, o indivíduo que possui a compulsão alimentar, pode consumir o dobro ou até 8 vezes mais.
  4. TARE é a sigla para “Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo”. Esse transtorno é comumente associado a crianças, mas há casos no período de adolescência e juventude. Essa doença é caracterizada pela recusa do consumo de certos grupos alimentares. O grupo mais afetado é o mais importante, pois como podemos ver que há maiores números de casos na idade infantil: restringir um grupo alimentar pode caracterizar um desenvolvimento defeituoso, com a ausência de vitaminas, minerais e outros componentes importantíssimos ao crescimento infantil saudável. Essa restrição pode se dar por diversos motivos: aparência, cor, textura, temperatura e paladar.
  5. Ruminação é um evento ligado ao refluxo alimentar, não desencadeado por origem patológica, como por exemplo o refluxo gastroesofágico, mas sim por psicose. O indivíduo portador desta doença vomita na própria boca; parte dela é secretada, parte volta a ser engolida novamente. Obviamente, o vômito aqui não é provocado intencionalmente, como é o caso da Bulimia, e o volume de vômito nessa situação é menor. Biologicamente, podemos ver diversos efeitos dessa doença: os ácidos estomacais indo em tecidos fracos e sendo atacado, causando diversos efeitos, como: tosse, dores na garganta, mau hálito, caries, entre outros.
  6. Alotriofagia também chamada de Pica – pássaro muito comum na Europa, conhecido por se alimentar de qualquer coisa – é caracterizada pelo consumo de coisas não alimentícias, ou alimentos não preparados. Alguns exemplos dessa doença é o consumo de terra, carvão, batatas cruas, farinhas, argila entre outros. Esse comportamento pode ser comum em crianças por um período de até três meses, mais do que isso, enquadra-se nessa doença. Algumas religiões africanas, afro-brasileiras e de origem europeia, têm em seus ritos o consumo de terra, por exemplo, gerando essa doença. É fato que do ponto de vista biológico há diversas complicações; o consumo de terra, por exemplo, além de conter patógenos de cunho biológico (vírus, bactérias, protozoários, vermes, que são ricos na terra), há os físicos (pedras, pedregulhos, celuloses insolúveis, que são ricos na terra), sendo totalmente obtuso sua ingestão.
  7. Ortorexia apesar de não ser amplamente discutido pelos cientistas, e alguns não o consideram com um disfuncionalismo, a ortorexia é o consumo restrito de alimentos saudáveis. Esses indivíduos apresentam-se com traços de perfeccionismo e sem maleabilidade. O não consumo não está ligado ao valor calórico que acompanha o alimento, mas sim devido a pureza que ele possui: quanto mais natural, melhor! Devido a esse posicionamento, causam insociabilidade, misantropia, entre outros efeitos.
  8. Vigorexia é estabelecida na preocupação atenuada com o corpo. Não é apenas preocupação com a saúde, ou com a qualidade de vida. A preocupação é com a aparência muscular. Está além da símplice definição muscular, mas sim da dismorfia corporal. Leva-se a um comportamento alimentar frágil, com o foco total no ganho de músculos e não levam em consideração o consumo de outras vitaminas, ou causam doenças de hipervitaminose.
  9. Diabulimia já há alguns artigos científicos relacionados, porém, ainda está sendo discutido pela comunidade científica. Essa discussão ocorre devido a Diabulimia ser o aproveitamento da doença “Diabetes” para emagrecer. Quando há ausência da insulina no corpo (que o paciente deve inserir - muita das vezes em forma de agulha), o açúcar não é absorvido, ou seja, mesmo ingerindo alimentos ricos em açúcar, não engordaria. Diabulimia nada mais é que a soma da irresponsabilidade do cuidado da Diabetes com a Bulimia. Existem diversas gravidades desta escolha, a pior delas é a morte por ausência de energia.
  10. Drunkorexia é a substituição da refeição por bebidas quentes. Isso mesmo, deixar-se de alimentar, no cotidiano, e embebedar-se. As pessoas que possuem esse comportamento sofrem de diversos problemas psíquicos e biológicos. No biológico o fígado e o rim podem sofrer lesões, ausência de vitaminas importantes, dores de cabeça e estomacais entre outros diversos impactos.
  11. Fatorexia é uma doença comum, porém não muito conhecida. Está ligada também a um distorção visual do corpo. Ao contrario da Anorexia, onde alguém muito magro enxerga-se acima do peso, aqui vemos o efeito inverso. Indivíduos acima do peso, são diagnosticados com obesidade e sobrepeso ficam assustados, pois ao se ver no espelho, enxergam-se dentro do peso.
  12. Pregorexia está ligada a gestação. A mulher estando consciente da gestação e do elevamento de peso comum ao fato da gravidez, busca incessantemente a alteração dos hábitos alimentares, porém não para nutrir-se bem devido a gravidez, mas para manter o peso ou não engordar nesse período. É fato que há diversas implicações sobre esse ato, e um deles e mais grave é o aborto espontâneo. Ainda há outras complicações como o mal desenvolvimento do feto, bem como riscos e fragilidade do mesmo.

De fato, essas doenças são potencialmente influenciadoras na decisão da alimentação. Talvez você tenha lido e sentiu-se enquadrado nesses termos. Entre em contato com o profissional psicólogo, e consulte-os. Por hora, o foco deste livro não é tecer sobre a psicologia da alimentação, mas sim de como alimentar-se saudavelmente. Mas não poderia falar sobre alimentação saudável, se olhamos os hábitos alimentares como algo fútil ou que não deva ser retratada ou aprendida. Precisamos antes de aprender a como se alimentar, entender o porquê e para isso precisamos conhecer a importância da alimentação.
Paulo Freire no livro Pedagogia do Oprimido (1970), traz-nos que o ensino tem interferência psíquica, pois modifica o estado e o modo de se ver o mundo. O Ensino tem poder construtivo, pois pode dar importância àquilo que parece anátema, dá significância às coisas e a vida, determina caminhos, gera novos horizontes, e acrescenta cor ao mundo do indivíduo. Porém, como o que é bom pode ser ensinado, o mal também pode sê-lo. O ensino maquiavélico pode também modificar a visualização de coisas boas, trazer significados daquilo que é agradável, tornando-as ruins. Isso significa, que a alimentação daquilo que chamamos de bom ou ruim, na realidade, são coisas ensinadas ao cérebro, e portanto aprendidas, ou ainda, o alimentou tornou-se desagradável devido estar em um ambiente ou locais desagraveis.
Então entramos num dilema muito difícil: como o cérebro identifica e certifica um alimento ruim? E, se ele identifica algo como ruim, há como desfazer? Para entrarmos nos termos mais profundos precisamos entender que o cérebro ao estar sensibilizando uma de suas sensações, como o paladar, as demais ainda continuam funcionando. Portanto, o cérebro ao sentir algo em um dos sentidos, as demais ainda podem produzir influência sobre aquilo. Não adianta nada você estar diante de um manjar, quando ao levantar os olhos você enxerga seus piores inimigos na sua mesa. Com efeito, a alimentação não é uma sensação exclusiva ao palato, mas sim uma somatória de sensações que resultam numa memória “positiva” ou “negativa” diante daquele momento.
O livro Química das Sensações (2006), que foram escritos por Pedro e Carolina, retratam dados muito importantes sobre o paladar, e a interação química que há nas sensações. Dentre os diversos efeitos

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